Línguas estrangeiras – atitudes que boicotam o seu aprendizado

Que Inglês e Espanhol são importantíssimos no mercado de trabalho todo mundo sabe. Dependendo da profissão ou do segmento em que você atue, outro idioma pode ser relevante. Ou você pode simplesmente ter vontade de aprender algum, por diversos motivos.

A empolgação inicial pode se transformar em decepção quando percebemos que a realidade é bem diferente das estruturas simplificadas a que somos apresentados no começo.

É possível sim chegar a um ótimo nível de proficiência, e existem diversos caminhos que podem ser percorridos dependendo das aptidões e preferências de cada um. No entanto, existem barreiras que devem ser vencidas. É sobre elas que vamos falar agora.

1) Confundir fluência com perfeição

O processo de comunicação consiste basicamente em emissão e compreensão de mensagens. Se um fala ou escreve e o outro entende, houve então uma comunicação bem-sucedida.

Imagine a seguinte situação: você está em um bar e um estrangeiro se dirige a você falando com dificuldade, mas de uma forma razoavelmente compreensível: “Onde banheiro?”. Aí você aponta a direção e ele faz um gesto de agradecimento. Vocês se comunicaram mesmo sem que ele dissesse: “Boa noite. O senhor poderia me informar em que direção fica o banheiro, por obséquio?”.

O primeiro exemplo é insuficiente para fins profissionais, é claro, mas também não precisamos chegar ao segundo em todas as situações. Se não dominamos perfeitamente nem a nossa língua materna, por que conseguiríamos toda essa excelência em outro idioma?

Claro que devemos buscar evoluir sempre, mas o patamar que devemos alcançar para nos sentirmos seguros não é o mesmo dos nativos. O objetivo principal é manter um bom nível de compreensão em temas que sejam do seu dia a dia, como atividades de trabalho.

No mundo corporativo, não há o que temer desde que você consiga conduzir reuniões e apresentações sem transtornos. Suas competências em relação aos processos da área e suas habilidades interpessoais serão realmente determinantes para que você seja promovido. E quanto aos anúncios de vaga com nível fluente de idioma, saiba é que bem difícil para os recrutadores encontrar candidatos com perfil adequado e domínio exemplar da língua exigida. Sua proficiência intermediária para avançada tem grande chance de ser aceita.

2) Não sair da zona de conforto

Todo aprendizado consiste em tentativa, erro e correção. Aprendemos o Português falando e escrevendo errado várias vezes, e na maioria das vezes sem sofrer pelos erros. Na fase adulta, tudo fica mais complexo e nos deixamos tomar por medos, vergonhas e preconceitos. “Acho Francês muito bonito, mas tem que fazer biquinho…” – isso nem é necessário, na verdade. E o som do “th” no Inglês com a língua entre os dentes? Muitos improvisam de uma forma que seja mais confortável.

Essas e outras formas de falar são constrangedoras para brasileiros. Mas vamos conversar entre nós em outra língua? Bem, talvez com colegas de curso, mas nesse caso todos estarão no mesmo barco, tentando superar as mesmas dificuldades. Os fonemas diferentes não são estranhos para os falantes do idioma específico, e isso é o que importa! Não faz sentido se preocupar com julgamentos de pessoas que não precisam ouvir determinada forma de falar.

O medo de falar ou escrever errado é outro fator que trava bastante os estudantes de um idioma. No entanto, evitar a tentativa é muito pior que o erro em si, pois praticar é essencial para fixarmos o que sabemos e corrigirmos o que pensávamos que sabíamos. E outro ponto importante: falar com autoconfiança já é metade do caminho. Alguns deslizes podem até passar despercebidos se você falar com segurança e desenvoltura.

E o sotaque, como eliminar? Se você for adulto, provavelmente só se voltasse no tempo e fosse viver em outro país ainda criança. Mas calma… a boa notícia é que você não precisa perder completamente o seu sotaque. Em reuniões de trabalho com pessoas de vários países, em que todos falam Inglês por motivos óbvios, é fácil identificar o país de origem de cada um pelo sotaque. E não há problema algum nisso. Conforme dito no tópico acima, o importante é entender e se fazer entender.

3) Começar os treinos de compreensão pelo mais difícil

Muita gente curte séries e filmes de comédia, e resolve unir o útil ao agradável assistindo com áudio e/ou legendas no idioma que está estudando. Faz todo sentido, não? Bem, talvez não…

How I met your mother

Além de frases rápidas e gírias, muitas piadas envolvem contextos culturais que você precisaria conhecer para entender bem. Portanto, comédia está no topo da dificuldade. Para não se frustrar no início, o ideal é optar por palestras e discursos, pois o(a) orador(a) costuma falar pausadamente e de uma maneira mais formal.

TED Talks

O mesmo vale para a parte escrita. Começar lendo Shakespeare no Inglês arcaico? Masoquismo total! Antes disso podem vir posts de redes sociais (seguindo páginas de veículos de imprensa estrangeiros, por exemplo), blogs, artigos científicos e livros mais atuais. O e-book é uma boa opção, já que é possível acessar o dicionário apenas clicando na palavra desconhecida.

4) Não conferir quando tem dúvida

Só existem dois motivos para não checar a ortografia ou pronúncia (sites de dicionários e o Google Tradutor possuem botão de áudio) de uma palavra quando temos dúvida: arrogância e preguiça.

Às vezes, estamos com muitas urgências e não conseguimos conferir uma regra gramatical mais complexa, mas para verificar uma palavra na internet levamos segundos. Será que não compensa “perder” esse tempo para enviar um e-mail impecável, ou para nos sentirmos confiantes na hora de pronunciar determinada palavra? Essa pode ser a diferença entre passar uma boa imagem a gestores e clientes ou não.

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